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21 jun 2017

Avaliação do Ciclo de Vida

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Autor: Arqta. Denise Hamze Issa, LEED AP O+M

Vamos começar a postagem de hoje com a definição de LCA (Life Cycle Assessment) traduzindo ACV (Avaliação do Ciclo de Vida):

“Ao discutir a avaliação do ciclo de vida de edificações e materiais da construção, sempre é útil considerar os efeitos da edificação como um todo. Tudo, sejam as vedações externas, o sistema de climatização ou o piso, pode afetar o “ecoperfil” da edificação, causando o impacto ambiental total. As questões, porém, são praticamente as mesmas. O que podemos fazer para diminuir o consumo de energia? Existe algum tipo de janela capaz de contribuir para a conservação de energia durante a vida útil da edificação? Quantas vezes será possível substituir a janela durante a vida útil da edificação? Quais materiais são menos tóxicos? O término da vida útil da edificação é importante? É importante projetar a edificação pensando em sua “desconstrução” após o fim da vida útil? Somente análises cuidadosas do ciclo de vida conseguem responder a essas perguntas, uma vez que avaliam os impactos ambientais ao longo de todo o ciclo da edificação.” (Rita Schenck – “Why LCA?: Building Design and Construction, Life Cycle Assessment, and Sustainability”).

Resumidamente: LCA é uma ferramente para auxiliar a mensurar a performance ambiental de produtos, sistemas, instalações e edificações durante o seu ciclo de vida, desde a extração de matéria-prima até o descarte, reciclagem, reuso ou desmontagem, considerando todas as etapas do processo (manufatura, montagem, empacotamento, limpeza, transporte, instalação e manutenção.

Dentro deste processo do ciclo de vida, devemos considerar de forma importante, a chamada “Embodied Energy”, ou energia incorporada. É um termo que descreve toda energia necessária e utilizada para criar um produto. Veja o esquema abaixo para ilustrar:

Quero ressaltar a diferença entre LCA e LCC. Life Cycle Cost (LCC) é a análise de custo financeiro ao longo do ciclo de vida, e não ambiental.

Mas como caracterizar, analisar e quantificar os impactos ambientais ao longo do ciclo de vida de um produto ou edificação?

Baseada nas normas ISO 14040 (Avaliação do Ciclo de Vida. Princípios e Estrutura) e 14044 (Avaliação do Ciclo de Vida. Requisitos e Diretrizes), deve-se seguir as quatro etapas a seguir:

1- Objetivo e escopo do período de estudo:

A equipe envolvida no projeto, avaliando o tipo de edificação, determina os objetivos da avaliação do ciclo de vida. Por exemplo, se os envolvidos optarem por investigar os impactos ambientais de um determinado sistema de isolamento térmico feito de algodão, terão de estudar, entre muitos outros fatores, como foi o cultivo desta matéria prima (consumo energético, uso de pesticidas, localização da plantação, etc) e comparar os resultados obtidos com outros sistemas de isolamento térmico alternativos.

2- Análise do inventário:

Etapa para colher dados sobre os materiais e seus efeitos no meio-ambiente, por exemplo acidificação (chuva-ácida), excesso de nutrientes na água, degradação de florestas, desertificação, etc… Estas informações podem ser encontradas em bancos de dados (laboratórios de pesquisa e institutos por exemplo) e nas ferramentas computacionais (Softwares específicos).

3- Avaliação dos impactos:

Este processo caracteriza-se pelos seguintes passos: classificação, caracterização, normalização, agrupamento e ponderação e finalmente interpretação. O inventário (etapa 2 citada) representa o fluxo total, já a avaliação dos impactos “coloca este fluxo em escala”, para analisar com maior detalhes e poder quantifica-lo.

4- Interpretação:

Trata-se da conclusão de todos este processo. Conforme vimos acima, cada estudo contempla bancos de dados e considera a análise de impacto ambiental, ou seja, a consistência e veracidade do LCA depende totalmente dos dados encontrados no inventário e dos passos da equipe para avaliação dos impactos.

Referência:

Burke, Marian Keeler Bill. “Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis”. Editora bookman, 2010.

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